1000 horas - obsolescência programada

Pior que incitar ao consumismo é obrigar a ele

foto: Patrik Nygren
foto: Patrik Nygren

Alguma vez se perguntaram porque dura uma lâmpada 1000h? Ou melhor, porque duram todas as lâmpadas de todas as marcas 1000h?

Cartel, criado quando ainda não havia isso da ética, dos direitos dos consumidores, e quando (como hoje) o dinheiro é rei e senhor. Começou nos EUA e aos poucos se alastrou ao resto do mundo, sem ninguém se aperceber, como regra, com multas para quem fabricasse lâmpadas com durações úteis muito superiores ou muito inferiores a essa duração.

Actualmente, 1000h parecem ser tantas. São tantas, porque quase ninguém sabe que nos EUA há uma lâmpada acesa há tanto tempo, que tem direito a site, livecam, bolo e parabéns a 18 de Junho. Tempo acesa: 116 anos!

Adolphe A. Chaillet é o pai dessa lâmpada centenária que está no quartel de bombeiros de Livermore, nos EUA. E com ele morreu o génio que aguça a criatividade e arrisca em criar algo para durar, que põe em prática o engenho e a arte, pondo de parte o capital monetário.

Frustrante, deve ser para um engenheiro não poder por em prática o seu conhecimento em algo duradouro, mas em algo que sabe à partida ter uma utilidade de 1000h porque assim lhe é exigido.

O documentário, Comprar, Tirar, Comprar criado pela RTVE aborda este assunto, focando-se naquilo que hoje em dia nos é enfiado pelos olhos sem ninguém se queixar, sem ninguém se aperceber sequer – a obsolescência programada.

Sabiam que há chips que fazem contagem de impressões nas vossas impressoras, que depois vos avisam duma falha mecânica para a qual não há conserto, sendo a única solução a compra dum novo equipamento Sabiam que se pode fazer reset a esse contador?

Pior que incitar ao consumismo é obrigar a ele. Somos cada vez mais umas marionetas do sistema.